quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Jovem Protagonista no Sapopemba


Olá Amigos! Lembram de mim ? Eu sou o Pembinho o mascote do Sapopemba, estou aqui para comunicar a todos estudantes do Sapopemba sobre a 2 ª  edição do projeto  a ser realizada nos dias 31/11 e 01/12/ 2013:

Jovem Protagonista

domingo, 1 de setembro de 2013

Veja a programação do I Congresso Brasileiro de Filosofia da Libertação



    Foi divulgada a programação do I Congresso Brasileiro de Filosofia da Libertação que será realizado nos dias 4, 5 e 6 de setembro de 2013, conforme descrito a seguir.

    Dia 04/09/2013
    8:00 – Credenciamento
    9:00 - Minicurso: Breve histórico da Filosofia da Libertação: uma abordagem introdutória, aula 1 - Euclides Mance
    10:45 - Intervalo
    11:00 - Mesa de debates 1: Ensino de Filosofia e Filosofia da Libertação - Alípio Casali, Antônio Joaquim Severino, Carlos Giannazi
    13:00 – Intervalo para almoço
    14:30 - Mesa de debates 2: Interfaces filosóficas - Julio Cabrera, Eduardo de Oliveira, Enrique Dussel
    16:30 – Intervalo
    16:45 – Mesa solene de abertura oficial do evento
    17:15 – Conferência de abertura – Enrique Dussel
    19:15 – Intervalo para jantar
    19:45 – Horário livre para encontro de pesquisadores e entidades

     Dia 05/09/2012
    9:00 - Minicurso: Breve histórico da Filosofia da Libertação: uma abordagem introdutória, aula 2 - Euclides Mance
    10:45 - Intervalo
    11:00 - Mesa de debates 3: Pensamento neocolonial - Jung Mo Sung, Benedito Eliseu Cintra, Antonio Sidekum
    13:00 – Intervalo para almoço
    14:30 - Mesa de debates 4: Ensino de Filosofia e Libertação - Aldo Santos, Francisco Gretter, Hugo Matos
    15:45 – Mesa de debates 5: Mulheres e Filosofia – Graziela Rinaldi, Magali Mendes, Giselle Schnorr
    16:45 – Conferência especial - Manfredo Araújo de Oliveira
    18:45 – Intervalo para jantar
    19:45 – Lançamentos de livros e revistas. Programação cultural

    Dia 06/09/2012
    9:00 - Minicurso: Breve histórico da Filosofia da Libertação: uma abordagem introdutória, aula 3 - Euclides Mance
    10:45 - Intervalo
    11:00 - Mesa de debates 5: Filosofia da práxis - Márcio Fabri, Suze Piza, Euclides Mance
    13:00 – Intervalo para almoço
    14:30 – Sessões simultâneas de comunicação
    16:30 – Solenidade de Encerramento – Secretário Adjunto de Educação do Estado de SP Sr. João Palma Filho e  Representantes  da Comissão de organização;
    16:45 – Conferência de encerramento - Lutz Keferstein
    18:45 – Intervalo para jantar
    19:45 – Plenária da Aproffesp e Aproffib

DETERMINISMO E FATALIDADE

DETERMINISMO E FATALIDADE

Para os Espíritos Superiores não existe determinismo. "(...) A fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao encarnar, desta ou daquela prova para sofrer. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino, que é a consequência mesma da posição em que vem a achar-se colocado. Falo das provas físicas, pois, pelo que toca às provas morais e às tentações, o Espírito, conservando o livre-arbítrio quanto ao bem e ao mal, é sempre senhor de ceder ou de resistir. (...)"
Mesmo para as pessoas que pareçam se perseguidas por um fatalismo marcante, as causas, se não estão na vida presente, têm origem no passado, em existências anteriores.
É importante, porém, que não se confunda determinismo com fatalidade. Determinismo é um sistema filosófico que nega ao homem o direito de agir livremente, de acordo com sua vontade.
"(...) Este sistema tem a representá-lo atualmente os positivistas e os materialistas de todas as escolas; mas é curioso notar-se que a sua origem se encontra na escolástica religiosa, que subordinava rigorosamente à influência da Providência divina a determinação da vontade... Mas, o determinismo materialista, como o determinismo religioso, negando o livre-arbítrio, suprimia (...) a responsabilidade. (...)"
A ideologia do determinismo vem de longe. "(...) Na antiga mitologia grega, encontramos a concepção das Parcas: criaturas que teciam a teia do destino, na qual era colhida a espécie humana, sem que esta dela se pudesse libertar. (...)"
Para os primeiros pensadores gregos, o destino das pessoas estava intimamente ligado à "(...) crença no poder absoluto das forças do universo. O destino do homem achava-se determinado por elas; conquanto não se sinta talvez satisfeito com isso, vê-se impotente ante elas. Deve obedecer-lhes. (...)"
Para Pitágoras e seus adeptos, "(...) a natureza do universo é formada de maneira a determinar o destino do homem. Os segredos de sua sorte acham-se encerrados nos números; somente podem ser desvendados se se compreender seu significado. Consequentemente, a maneira de saber o que acontecerá ao homem, a cada um, está em compreender a linguagem dos algarismos (...)".
Outro pensador grego da Antiguidade, "(...) Heráclito ensinou que o processo cósmico segue a determinadas leis. (...) Toda mudança, afirmou ele, está de acordo com uma lei fixa e imutável, lei que é o princípio básico do mundo. O homem está completamente sujeito a ela. Heráclito refere-se a essa lei, ou princípio, chamando-a, às vezes, destino; outras, justiça.(...)
Quem primeiro procurou afastar o homem da idéia de um destino inexorável foram os filósofos gregos chamados sofistas. Segundo eles, "(...) O homem, medida de todas as coisas, não podia ficar inteiramente preso a um processo ou a leis de que não pudesse desvencilhar-se. Conquanto não fossem muito claros em sua exposição, parecia-lhes impossível que o homem não exercesse certo efeito sobre o próprio destino. (...)"
Sócrates  não aceitava este domínio sobre o homem. "(...) Afirmou que o conhecimento constitui sua realização suprema. Alcançando o conhecimento, o homem age com acerto, é bom. Sem o conhecimento, corre o risco de agir com desacerto. Além disso, Sócrates acreditava que o homem pode, pelo conhecimento, ter certa influência sobre seu destino na Terra e na vida futura. (...)"
Platão  era o defensor da liberdade. "(...) O homem pode vencer, e de fato vence, os objetivos do mundo. Embora seja uma criatura do Criador divino, pode ordenar sua vida de modo a vivê-la com espírito de justiça e sensatez. (...)"
Aristóteles acreditava na liberdade do homem. "(...) Para ele, a moral não é questão de lei inevitável, porém de livre escolha. (...) Temos liberdade de fazer o que é bom ou o que é mau. (...)"
Outros filósofos gregos que surgiram posteriormente acreditavam ou não no determinismo. Epicuro e os epicuristas não se inclinavam "(...) a deixar o homem como o títere de forças inexoráveis. Afigurava-se-lhe importante o livre-arbítrio. (...) Zenão  e o estóicos assumiram a outra posição extrema relativamente à liberdade humana. Para eles, o mundo é o resultado de leis fixas e imutáveis. (...)"
Os pensadores gregos religiosos concebiam uma liberdade relativa para o homem. Filon  acreditava que a encarnação da alma no corpo constituía uma queda, uma perda parcial da liberdade que possuía antes da encarnação. Plotino   também acreditava na liberdade original da alma; isto é, o corpo é uma prisão e a alma ligada ao corpo está prisioneira, não é livre. Para esse filósofo, o homem como alma, como espírito, é livre; tal não acontece se está ligado a um corpo.
Os pensadores cristãos dos primeiros tempos do Cristianismo e os da Idade Média, sobretudo os apologistas, criam um homem basicamente livre e a sua queda advém da ligação com o corpo. Acreditavam, ainda, que no momento da sua criação a alma teria a liberdade de escolher entre o bem e o mal.
"(...) Os antigos cristãos explicavam que Deus, todo bondade e perfeição, não pode ser responsável pelo mal e pelos pecados do mundo. O homem deve, portanto, arcar com essa responsabilidade e é livre. O antigo monge cristão Pelágio  doutrinava que Deus deu liberdade ao homem para que possa escolher entre o bem e o mal. Cada um faz sua própria escolha dentro do espírito do livre-arbítrio. (...)"
Na Renascença, o homem da época procurou se desligar do domínio da Igreja e resolveu, por si, conhecer o mundo. Surgem, então, os primeiros cientistas. Entre eles destacamos Galileu, Kepler, Isaac Newton. Se, por um lado, "(...) libertava-se, assim, o homem da autoridade do passado e da Igreja (...) - por outro lado - "(...) para ver-se novamente escravizado a um senhor mais poderoso e mais inflexível que qualquer outro que conhecera antes. O homem, na filosofia de muitos cientistas da Renascença, passou a ser simples parte de um universo mecânico (...)".
"(...) Francis Bacon é o protótipo do homem que desejava, ardentemente, libertar-se das tradições do passado e abordar o universo sem preconceitos religiosos ou intelectuais. (...)" Para esse filósofo, o homem "(...) poderia descobrir as leis que governam o universo e determinar suas próprias ações. (...)" "porém, apesar do seu desejo íntimo de se libertar da religião, Bacon deixou o homem sujeito à vontade de Deus e, com isso, destituído de liberdade. (...)"
"(...) Thomas Hobbes viu os resultados insatisfatórios da doutrina sugerida por Bacon; vai mais longe ao afirmar que tudo, no universo, está sujeito a uma série de causas e efeitos puramente mecânica. Tudo, até mesmo as ações e o destino do homem - argumentou - pode ser explicado mecanicamente (...). Assim, na opinião de Hobbes, é absurdo afirmar que o homem tem livre-arbítrio. (...)"
Descartes tentou conciliar as idéias de Deus interferindo no destino do homem, com as teorias mecânicas. Para ele, o Espírito é livre.
Os sucessores de Descartes, Blaise Pascal e Pierre Bayle, colocaram a liberdade no domínio da religião: o homem é livre através da experiência religiosa, e não pode provar essa liberdade pela razão.
Espinosa   é totalmente determinista. Tudo no universo se encadeia. Não existe, para esse pensador, o livre-arbítrio.
John Locke   acreditava que o homem não só tem liberdade como tem vontade; e que Deus dotou o homem de certos desejos. São esses desejos que levam o homem a ter vontade. Tendo vontade, é livre para agir.
Para David Hume, o homem só é livre quando as suas ações provêm dos seus desejos, da sua vontade; mas, se ele age atendendo a uma necessidade exterior, que não seja sua, ele não é um homem livre.
Para Gottfried Wilhelm Leibnitz, deve existir uma conciliação entre a Ciência e o Cristianismo. Leibnitz era monista. O homem, afirmava, é formado de mônadas. Essas mônodas são sofrem influências exteriores, logo, o homem não recebendo influências exteriores, é livre. No entanto, interiormente, o homem é governado pela sua vontade, pelos seus desejos, por sua natureza, em suma. A vontade do homem é manifestada quando ele sabe o que quer e luta por isto. O homem não será livre se não souber o que quer.
No movimento filosófico chamado iluminismo, destacou-se um grande propagandista: Voltaire. Pregava a doutrina do livre-arbítrio, que se aproximava de quase uma completa irresponsabilidade; mais tarde, porém, abandonou esta doutrina e optou pelo determinismo. Dizia que só era livre quando podia fazer o que queria.
Depois de Voltaire, surgiram filósofos que foram abandonando as idéias do livre-arbítrio, chegando alguns a declarar ser o homem uma máquina. Foi a época de John Toland, La Mettrie, Barão de Holbach e outros.
Foi Jean-Jacques Rousseau  quem modificou a direção que as idéias dos seus antecessores estavam tomando. Rousseau desperta a idéia do sentimento. Para ele, o homem é livre; não um joguete das leis naturais, mas uma alma que luta para viver segundo a liberdade que possui.
Kant, segundo consta, foi influenciado por J. J. Rousseau. Kant aceitava o livre-arbítrio como necessário ao homem moral. O homem é um agente livre. E o homem livre cria o ato que o levará, fatalmente, à teia intrincada de causa e efeito. Nem sempre, segundo o pensamento do filósofo, se pode provar que a vontade é livre. Aceitava, porém, como os mecanistas, que não se pode provar teoricamente a existência do livre-arbítrio, mas que existe uma verdade mais elevada que a das ciências, a verdade da natureza moral do homem. E esta verdade faz o homem livre.
Para William James, o fato de o homem ter a vontade de crer o torna livre. John Dewey concebeu o homem cooperando na criação do mundo. Segundo eles, os desejos e as tendências humanas são quem dirige o mundo.
Anotamos acima as principais idéias dos seguidores e dos não seguidores do determinismo. Até os dias presentes ainda encontramos esta divergência de opiniões. O certo, porém, aquilo que o Espiritismo nos ensina, é que não há um fatalismo, um determinismo que norteie a vida do homem. Se o homem é constrangido a agir diferentemente do que pensa e do que quer, é porque está preso aos débitos contraídos em existências anteriores, Sem a teoria da reencarnação torna-se difícil explicar se o homem tem ou não livre-arbítrio.
"(...) Subordina-se o homem a livre-arbítrio relativo e a determinismo relativo.
A reencarnação abre, com facilidade, os redutos do livre-arbítrio, exibindo-o, com simplicidade, aos estudiosos.
A palingenesia anula a idéia de que haja contradição entre livre-arbítrio e determinismo, oferecendo a ponte destinada a ligá-los entre si, de modo que se não choquem nas conjeturas do intelecto. (...)"
"A questão do livre-arbítrio se pode resumir assim: o homem não é fatalmente levado ao mal; os atos que pratica não foram previamente determinados; os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, por prova e por expiação, escolher uma existência em que seja arrastado ao crime, quer pelo meio onde se ache colocado, quer pelas circunstâncias que sobrevenham, mas será sempre livre de agir ou não agir. (...)
A fatalidade, como vulgarmente é entendida, supõe a decisão prévia e irrevogável de todos os sucessos da vida, qualquer que seja a importância deles. Se tal fosse a ordem das coisas, o homem seria qual máquina sem vontade. De que lhe serviria a inteligência, desde que houvesse de estar invariavelmente dominado, em todos os seus atos, pela força do destino? Semelhante doutrina, se verdadeira, conteria a destruição de toda liberdade moral. (...)
Contudo, a fatalidade não é uma palavra vã. Existe na posição que o homem ocupa na terra e nas funções que ai desempenha, em consequência do gênero de vida que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão. Ele sofre fatalmente todas as vicissitudes dessa existência e todas as tendências boas ou más, que lhe são inerentes. Aí, porém, acaba a fatalidade, pois da sua vontade depende ceder ou não a essas tendências. Os pormenores dos acontecimentos, esses ficam subordinados às circunstâncias que ele próprio cria pelos seus atos, sendo que nessas circunstâncias podem os Espíritos influir pelos pensamentos que surgiram.

Há fatalidade, portanto, nos acontecimentos que se apresentam, por serem estes consequência da escolha que o Espírito fez da sua existência de homem. (...) Nunca há fatalidade nos atos da vida moral
INTRUMENTALIZAÇÃO:

§  Vamos iniciar a aula lendo o poema de Fernando de Pessoa


Liberdade
Ai que prazer
Não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
Como tem tempo, não tem pressa…
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca…

Publ icado in Seara Nova, n.º 526, de 11-09-1937, Fernando Pessoa - Cancioneiro
 
Este poema está disponível no site dedicado a ele, disponível em http://www.pessoa.art.br/?p=478
 
Sugestões:

§  Se for possível, os estudantes podem fazer a leitura direto no site e tecer seus comentários na página.
§  Sugerimos que inicialmente seja feita uma leitura silenciosa, depois uma leitura oral, para então iniciarmos as discussões sobre este poema (é importante que o jovem crie o hábito de ler sozinho primeiro, procurando entender o texto, depois acompanhe a leitura coletiva, de tal forma que se habitue a refletir primeiro para depois emitir uma opinião. A leitura e interpretação são fundamentais para pensar filosoficamente):
§  Solicite que aos estudantes que relatem sua opinião, o que compreenderam sobre o poema. Questões que podem ser levantadas:
      - O que é prazer para o autor?
      -  Qual o sentido de estudar?
      -  Que tipo de liberdade se refere este poema de Fernando de Pessoa?
      -  Você concorda com o autor?

Passe no quadro o seguinte pensamento:

 "Uma pessoa pertence unicamente a si mesma. Ela é um ser livre com o direito inalienável de autodeterminação". (Elizabeth Haich)

Converse com os jovens:
§  Somos originalmente livres?
§  Durante a vida, nós, a nossa família, a comunidade em que vivemos constrói um conceito de liberdade, de acordo com os valores vigentes, ou seja, para manutenção de um status quo, o que nos remete ao seguinte questionamento: O que é a Liberdade?
§  Segundo Aristóteles: "é livre aquele que tem em si mesmo o princípio para agir ou não agir, isto é, aquele que é causa interna de sua ação ou da decisão de não agir".
§  Para Sartre "a liberdade é a escolha incondicional que o próprio homem faz de seu ser e de seu mundo. Afirma que estamos condenados à liberdade".
§  Um provérbio popular, com base na Revolução Francesa e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão diz: "A minha liberdade termina onde começa a do outro."

Diante destas questões vamos pensar um pouco mais... Solicite que os estudantes escrevam em seu caderno suas idéias acerca destas afirmações.

Passe no quadro mais um pensamento:
"Duvidar de tudo ou crer em tudo. São duas soluções igualmente cômodas, que nos dispensam, ambas, de refletir." (Henri Poincare)

Sugestão de texto para ser discutido com os estudantes:


Duas teorias sobre a liberdade


Determinismo: parte do princípio que tudo que existe tem uma causa, ou seja, a lei de causa e efeito, foi determinado por algo ou alguém. Exemplo: quando acreditamos que a nossa vida já esta predestinada a algo ou por alguém; quando consultamos horóscopos, cartas, videntes sobre o nosso futuro.

Liberdade incondicional: a liberdade absoluta, do livre-arbítrio, onde o ser humano pode escolher entre uma atitude ou não, independente das circunstâncias. Ou se é inteiramente livre ou então não se tem liberdade.

Sobre estes pontos de vista, o homem é livre ou determinado? Segundo TELES (1996, p. 31) "o sentido mais profundo da questão da liberdade é que, se ela não existisse, o homem se misturaria com a natureza, não se diferenciaria das coisas, pois estaria inteiramente submisso ao determinismo." Se considerarmos a situação em que se encontra um dado ser humano, por exemplo, podemos dizer que pelo fato de estar situado em determinada época, em um local, em uma dada família, contexto comunitário, possui uma história de vida que o poderá tornar um ser previsível. Mas, ao mesmo tempo, temos que levar em consideração que este ser humano possui o livre arbítrio, ou seja, tema capacidade de tomar decisões sobre o direcionamento que pretende dar a sua vida, de sua comunidade e de todos que o cercam.

Temos que ter consciência que nossos atos têm conseqüências. Sob este ponto de vista o ser humano possui a liberdade de decidir sobre a sua vida, mas se a decisão tomada for errada, ele poderá deixar de ser livre, assumindo as conseqüências de seus atos.

Segundo ARANHA e MARTINS (1986, p. 318) "a liberdade não é a ausência de obstá ;culos, mas o desenvolvimento da capacidade de dominá-los e superá-los". Percebe-se a importância dos momentos de reflexão que todo ser humano deve praticar, da capacidade de perceber e antever as conseqüê ;ncias de seus ato s.

Na adolescên cia é muito comum a reivindicação da liberdade. O homem nesta fase de contestação e auto-afirmação p assa, segundo GURDORF apud ARANHA e MARTINS (1986, p. 319) por momentos onde a "liberdade do adolescente é uma adoles cência da liberdade, uma liberdade de aspiração [...] a ju ventude é tempo de aprendizado da liberdade."

Diante do exposto, o que pensa o estudante:

§  Possui liberdade incondicional ou determinada?
§  A sua liberdade é permanente ou foi consquista aos poucos?
§  Você é livre? Quem é livre?

Leve os estudantes no laboratório de informática para conhecer um pouco mais sobre o determinismo neste exercício sensacional, disponível no UNIFRA em: http://sites.unifra.br/Portals/17/Filosofia/LiberdadeDeterminismo/Liberdade_Determinismo.swf 

http://portaldoprofessor.mec.gov.br/storage/discovirtual/aulas/490/imagens/determinismo_rived.jpg
Aqui apresentamos sugestões de testes para a unidade 1 e 2 -Iniciação à actividade filosófica e Acção Humana - Análise e Compreensão do Agir

Teste 1 

Grupo I


Assinale à frente de cada uma das seguintes frases o seu valor de verdade (utilize apenas V ou F):


1.      O facto de as nossas ideias precisarem de ser testadas pelos outros implica que a filosofia seja uma actividade dialogante. ___

2.      Se não conseguimos definir explicitamente «filosofia»,
então também não podemos saber o que é a filosofia. ___

3.      O objectivo das discussões filosóficas não é ver quem ganha a discussão. ___

4.      Os filósofos têm sempre razão. ___

5.      As teorias dos filósofos destinam-se a resolver problemas filosóficos. ___

6.      O valor das teorias dos filósofos depende do valor dos argumentos que utilizam. ___

7.      Um exemplo de um problema filosófico é «será que as pessoas se sentem mais felizes se acreditarem em Deus do que se não acreditarem?» ___

8.      Um exemplo de um problema não filosófico é «como podemos saber que o mundo não é um ilusão?» ____

9.      O estudo da filosofia tem como objectivo principal compreender as ideias dos grandes filósofos. ___

10. Se concordamos com um determinado filósofo, então não estamos a ser críticos. ___

11. Se não avaliarmos criticamente as nossas ideias mais básicas, então essas ideias não passam de preconceitos. ___

12. Um preconceito é uma ideia falsa. ___

13. Em filosofia temos de aceitar discutir as nossas ideias e argumentos. ___


Grupo II

2. A Filosofia alimenta-se das suas próprias dúvidas; os filósofos colocam constantemente novas questões filosóficas e reformulam as antigas; propõem respostas – as teorias ou concepções filosóficas -, argumentando a favor ou contra. O objectivo de cada filósofo é chegar à verdade, quer ele ganhe o argumento quer não.”


1. Qual é o objecto e o método da filosofia?

2.Esclareça a relação que se estabelece entre a filosofia e a dúvida.

3. Explique qual é a relação entre os problemas, as teorias e os argumentos da filosofia.

 Grupo III




3. Sócrates disse, celebremente, que uma vida sem reflexão não valia a pena ser vivida. Queria ele dizer que uma vida vivida sem ponderação nem princípio é tão vulnerável ao acaso e tão dependente das escolhas e acções de terceiros que pouco valor real tem para a pessoa que a vive. Queria ainda dizer que uma vida bem vivida é aquela que possui objectivos e integridade, que é escolhida e orientada pelo que a vive, tanto quanto é possível a um agente humano enredado nas teias da sociedade e da História (…) Uma pessoa que não pense na vida é como um forasteiro sem mapa numa terra estrangeira: para alguém assim, perdido e desorientado, um desvio no caminho é tão bom como qualquer outro e, se o rumo tomado conduzir a um local que vale a pena, terá sido meramente por acaso.   

A. C. Grayling, O Significado das Coisas


1. Qual é o tema abordado? Qual é o problema?

2. Qual é a tese de Sócrates? Clarifique o significado da afirmação de Sócrates.

3. Faça uma análise comparativa deste texto com a atitude apresentada pela Formiga Z.

4. Porque razão é a filosofia uma actividade crítica?
5. O que se aprende a fazer quando se estuda filosofia?

Outubro 2007

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Teste 2


“ Quer as ciências quer as filosofias respondem a perguntas levantadas pelo real.

Para essas perguntas, as ciências oferecem soluções, isto é, respostas que satisfazem de tal modo a questão levantada, que a anulam e desfazem. (…) Em contrapartida, a filosofia não oferece soluções mas respostas, as quais não anulam as perguntas mas permitem-nos conviver racionalmente com elas embora continuemos a levantá-las várias vezes: por muitas respostas filosóficas que conheçamos para a pergunta que se faz sobre o que é a justiça ou o que é o tempo, nunca deixaremos de nos perguntar pelo tempo ou pela justiça nem rejeitaremos como ociosas ou “ resolvidas”as respostas dadas a essas questões por filósofos anteriores.”

F. Savater

1- Retira do texto as expressões que te permitam distinguir as respostas filosóficas das científicas e esclarece o seu significado.


2- A distinção anterior remete-nos para a diferença da natureza dos objectos e dos procedimentos metodológicos que estes dois tipos de conhecimento possuem. Explica em que consiste essa diferença.


3- “ A argumentação é o coração da filosofia e é por isso que a filosofia é uma atitude crítica” – in manual adoptado.

Concordas? Justifica.


4- Para fazer filosofia é preciso identificar e formular correctamente os problemas filosóficos, para podermos elaborar uma teoria e sustentá-la com bons argumentos. De outro modo, tudo seria uma confusão.

a) Relaciona problemas, teorias e argumentos.


b) Identifica, de entre as seguintes questões, as que são especificamente filosóficas e as que o não são. Justifica através de duas características que as distingam.

a) O que caracteriza os vertebrados? b)O que é o conhecimento? c) A pena de morte é moralmente aceitável ? d) A que velocidade caem os corpos?

c) Diz quais são as disciplinas filosóficas presentes na questão anterior. Justifica.


5- Qual é, afinal, a importância de estudar filosofia? Expõe, de forma clara, as razões que justificam, ou não, o valor e utilidade da filosofia.


6- Quando é que uma frase exprime uma proposição? Dá dois exemplos.


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Teste 3



Unidade 2 - Acção Humana – Análise e Compreensão do Agir



-- Este teste apresenta algumas soluções para as perguntas formuladas, adverte-se que as mesmas são unicamente indicativas.-





1. Diga o que entende por acção humana.

R: Podemos entender acção como “produção de um efeito”, mas quando falamos de acção humana queremos referir o fazer próprio do ser humano. Analisando do ponto de vista etimológico, distingue-se a acção que provém de “fazer” – produção, acto transitivo – da acção que provém de “agir” – praxis, acto imanente, propriamente “acção”. A acção humana, entendida a partir do verbo “agir”, implica vontade e consciência, isto é, uma intenção (saber o que se faz) e uma finalidade (saber por que se faz).

2. Que condições têm de se verificar para acontecer um acto humano?

R: Pode-se distinguir “acto humano” de “acto do homem”. Actos do homem serão aquelas acções que se efectuam de modo mais ou menos inconsciente, involuntário (escorregar nas escadas, dormir, descansar, etc.), ou realizadas por constrangimento, que manifestam as limitações e finitude do homem. Os actos humanos resultam de um ser susceptível de qualificação moral. Exigem um agente consciente, motivado por intenções e finalidades que o indivíduo livre e responsável se propõe (ajudar um cego a atravessar a rua; inibir uma exploração de nervos…).


3. Uma das condições para que um acto possa ser moral é que seja uma acção livre. Esclareça os critérios que nos permitem identificar um acto livre.

R: Sabendo que estamos diante de um conceito complexo, poderíamos, no entanto, dizer que uma acção livre será aquela que, além de consciente, voluntária e intencional, se realiza com conhecimento das circunstâncias e das consequenciais do acto, ou seja um acto “escolhido”, um acto de que o autor é “responsável”.


4“O fenómeno fundamental da auto-experiência humana é que já de antemão nos achamos no meio de uma realidade, rodeados por coisas e seres humanos, com os quais lidamos, que nos influenciam e com quem mantemos relações múltiplas. A nossa existência está na dependência do mundo, tanto do mundo das coisas e dos objectos como também e sobretudo do mundo humano e pessoal. A nossa existência concreta está assim condicionada e determinada de múltiplas formas.” – E. Coreth

- A partir de uma análise ao texto, esclareça as várias ordens de factores que condicionam a acção humana.

R: A dificuldade da determinação da causalidade moral resulta da natureza bio-sociocultural do ser humano. Tentar destrinçar o que nos actos e realizações humanas de cada homem e cada mulher concretos é devido a cada uma dessas dimensões e até onde essas dimensões são efectivamente condicionantes ou possibilitadoras de tais actos constitui praticamente impossível, dada a complexidade dos factores físicos, biológicos, sociais e culturais que interferem na motivação humana.

5. Podemos considerar o ser humano um ser livre? Justifique. 

R: Uma pessoa é entendida como um ser racional, capaz de se propor fins, de decidir e de realizar livremente o acto humano.

A sua acção, no entanto, é limitada por uma série de condicionalismos: de natureza biológica, física, psicológica, histórico-cultural.

Dir-se-á que a pessoa é livre enquanto ser racional, dotado de vontade; mas é também limitada pelos vários determinismos a que está sujeita.

Não é assim complexo esse determinismo nem é absoluta a sua liberdade.


6. “Liberdade, eis um debate que não cessou de existir depois que o Homem é Homem” – H. Laborit

Exponha as razões pelas quais a liberdade suscita debates.

R: A liberdade é o estado daquele que faz o que quer e não o que outros querem; é a ausência de constrangimentos exteriores. Verifica-se quando a pessoa age de acordo com a sua natureza. O debate resulta do questionamento sobre as limitações de ordem psicológica, física e moral ou de ordem política e social que determinam o agir individual.


7. “Toda a acção se executa por um motivo ou outro. As acções não são gratuitas.” – F. Mora

Analise o sentido do texto, tendo em vista caracterizar o acto especificamente humano.



© 2007 HF


PROVA DE AVALIAÇÃO DE FILOSOFIA
Unidade III - Tema 3: A necessidade defudamentação da moral -  E. Kant e S. Mill

Professora Helena Serrão
Paço de Arcos, Maio de 2009

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Leia o teste com atenção e responda com clareza e objectividade às seguintes questões:
Grupo I

(2x 30 Pontos)


“Devemos, pois, perguntar o seguinte: Pode um racista apontar uma diferença entre, digamos, brancos e negros que possa justificar tratá-los de maneira diferente? Os racistas tentaram por vezes fazer isso descrevendo os negros como estúpidos, falhos de ambição, e outras coisas que tais. Se isso fosse verdade, poderia justificar-se tratá-los de forma diferente, pelo menos em algumas circunstâncias. (Este é o propósito de fundo dos estereótipos racistas, oferecer as "diferenças relevantes" necessárias para justificar as diferenças de tratamento.) Mas naturalmente isso não é verdade, e de facto não há tais diferenças genéricas entre as raças. portanto, o racismo é uma doutrina arbitrária, pois advoga o tratamento diferenciado das pessoas, apesar de não haver entre elas diferenças que o justifiquem.
O egoísmo é uma teoria moral do mesmo género. Advoga que cada pessoa divida o mundo em duas categorias de pessoas nós e todos os outros - e que encare os interesses dos do primeiro grupo como mais importantes que os interesses dos do segundo grupo. Mas, pode cada um de nós perguntar, qual é afinal a diferença entre mim e todos os outros que justifica colocar-me a mim mesmo nesta categoria especial? Serei mais inteligente? Gozarei mais a minha vida? Serão as minhas realizações mais notáveis? Terei necessidades e capacidades assim tão diferentes das necessidades e capacidades dos outros? Em resumo, o que me torna tão especial? Ao não fornecer uma resposta, o egoísmo ético revela-se uma doutrina arbitrária, no mesmo sentido em que o racismo é arbitrário. Além de explicar a razão pela qual o egoísmo ético é inaceitável, isto lança também alguma luz sobre a questão de saber por que devemos importar-nos com os outros.”


James Rachels, Problemas da Filosofia Moral

Arbitrário= fruto do capricho, ao acaso, sem razões


1. Esclareça o tema, problema, tese/s , argumentos e conceitos principais expostos no texto.

2. Segundo o texto, há duas posições que não têm fundamento moral. Quais. Porquê?

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Grupo II

(2x40 Pontos)



Imagine a seguinte situação: Um arquitecto de Mondim receberá uma grande quantia em dinheiro se testemunhar, em tribunal, a favor do Presidente da Câmara. O arquitecto sabe que o presidente da Câmara desviou fundos camarários para a sua conta pessoal. Pedem-lhe que oculte as provas que tem e que minta, em troca receberá além do dinheiro a aprovação do presidente para financiar um projecto de construção de casas, um centro cultural e uma vasta zona verde para os habitantes de uma zona degradada da cidade que vivem em barracas.

1. A partir dos princípios da moral deontológica de Kant e da moral utilitarista de Stuart Mill, qual a decisão moralmente correcta? Porquê?

2. O que se entende por Estado e como se legitima a sua autoridade? (Compare duas teorias sobre a legitimação da autoridade do Estado)


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Grupo III


(2x30 Pontos)

Se a moral reinasse não teríamos necessidade de polícia, de leis, de tribunais, de forças armadas: não teríamos necessidade de Estado nem, portanto, de política!


 

A. Comte- Sponville


 




Distinga norma moral e lei jurídica?


Exponha, em aproximadamente 20 linhas, um tema/problema do mundo contemporâneo. Tenha em conta o capítulo que leu do livro de Peter Singer “Escritos sobre uma vida Ética”.

Critérios de avaliação:
Domínio dos conteúdos,
correcta colocação dos problemas,
linguagem clara.




Grupo I


A filosofia recusa-se a aceitar qualquer crença que as provas experimentais e o raciocínio não mostrem que é verdadeira. Uma crença que não possa ser estabelecida por este meio não é digna da nossa fidelidade intelectual e é habitualmente um guia incerto da acção. A Filosofia dedica-se, portanto, ao exame minucioso das crenças que aceitámos acriticamente de várias autoridades. Temos de nos libertar dos preconceitos e emoções que muitas vezes obscurecem as nossas crenças. A Filosofia não permitirá que crença alguma passe a inspecção só porque tem sido venerada pela tradição ou porque as pessoas acham que é emocionalmente compensador aceitar essa crença. A filosofia não aceitará uma crença só porque se pensa que é ‘simples senso-comum’ ou porque foi proclamada por homens sábios. A filosofia tenta nada tomar como garantido e nada aceitar por fé. Dedica-se à investigação persistente e de espírito aberto, para descobrir se as nossas crenças são justificadas, e até que ponto o são. Deste modo, a filosofia impede de nos afundarmos na complacência mental e no dogmatismo em que todos os seres humanos têm tendência para cair.”

 

GRUPO I
1. Analise logicamente o texto, o tema, o problema, a tese , o/s argumentos e conceitos essenciais. (35Ptos)

2. A acção humana será livre ou não? Exponha os argumentos a favor do livre arbítrio e contra (determinismo). (30Ptos)
“ Estes morangos são saborosos.” e “ Leonardo Da Vinci nasceu em 1452” são exemplos de duas frases que expressam juízos diferentes. Qual a diferença? Justifique a sua resposta.(30Ptos)

3. De que modo podemos classificar as nossas acções tendo em conta o plano Ético/Moral? Justifique.(30Ptos)

4. Confronte os argumentos e as teses principais sobre os juízos de gosto estéticos. (30Ptos)

GRUPO II
Desenvolva um dos seguintes temas tendo em conta a clareza da sua exposição e o rigor da informação: (Aproximadamente 25 linhas) (45Ptos)
Temas:

A natureza da Filosofia.
O relativismo cultural e a universalidade da Ética.
A Ética deontológica de Kant.
A Ética utilitarista de Stuart Mill.
As várias teorias sobre a natureza da Arte.


Jerome Stolnitz, Estética e Filosofia da Crítica de Arte, 1960

Vocabulário: complacência= condescendência
Crença: inclui não apenas as crenças religiosas mas tudo o que pensamos que é verdade, seja ou não verdade)
Livre-arbítrio, determinismo e responsabilidade moral

De acordo com um ser extraterrestre tralfamadoriano, no livro Slaughterhouse Five de Kurt Vonnegut, Jr., os tralfamadorianos viajaram até aos confins do universo e só na Terra se fala de livre-arbítrio. Talvez. Mas fala-se mesmo muito.

1. Livre-arbítrio versus determinismo

O problema do livre-arbítrio versus determinismo surge devido a uma aparente contradição entre duas ideias plausíveis. A primeira é a ideia de que os seres humanos têm liberdade para fazer ou não fazer o que queiram (obviamente, dentro de certos limites ― ninguém acredita que possamos voar apenas por querermos fazê-lo). Esta é a ideia de que os seres humanos têm vontade livre ― ou livre-arbítrio. A segunda é a ideia (...) de que tudo o que acontece neste universo é causado, ou determinado, por acontecimentos ou circunstâncias anteriores. Diz-se de aqueles que aceitam esta ideia que acreditam no princípio do determinismo e chama-se-lhes deterministas. (De aqueles que negam esta segunda ideia diz-se que são indeterministas.)
Pensa-se frequentemente que estas duas ideias conflituam porque parece que não podemos ter livre-arbítrio ― as nossas escolhas não podem ser livres ― se são determinadas por acontecimentos ou circunstâncias anteriores.

2. Somos nós sempre responsáveis pelas nossas acções?

Além disso, algumas pessoas defenderam que se tudo o que fazemos é determinado pelo que aconteceu no passado de uma forma tal que as nossas escolhas nunca são livres, então não somos moralmente responsáveis por nenhuma das nossas acções, porque nesse caso não escolhemos livremente fazê-las. Pode esta ideia estar correcta?

Determinismo radical, determinismo moderado e libertarianismo

Na história da filosofia, foram propostos essencialmente três tipos diferentes de respostas a esta questão. Um consiste em morder o isco e aceitar que o determinismo é verdadeiro e, por conseguinte, que a responsabilidade moral não tem sentido. A este ponto de vista chama-se geralmente determinismo radical, e àqueles que o aceitam deterministas radicais. Um segundo ponto de vista é o de que tem efectivamente sentido sustentar que as pessoas são moralmente responsáveis pelas suas acções, porque o determinismo está errado e nós no fim de contas temos livre-arbítrio. Chama-se com frequência libertarianismo a este ponto de vista e aos seus defensores libertarianos. Finalmente, um terceiro ponto de vista é o de que ao aceitarmos o determinismo e a liberdade da vontade não nos contradizemos, pelo que podemos ser considerados moralmente responsáveis pelas nossas escolhas embora elas sejam determinadas. Chama-se geralmente determinismo moderado a este ponto de vista e aos seus defensores deterministas moderados.

3. Determinismo radical

Quando examinado, o determinismo radical revela basear-se em três princípios:
O princípio do determinismo ― que tudo o que acontece tem uma causa;
O princípio de que se uma acção é determinada, então não é livre (a pessoa não poderia realmente ter escolhido não a fazer); e
O princípio de que a pessoa é moralmente responsável apenas por acções livres.
Argumentos a favor do determinismo radical

Os deterministas radicais tendem a acreditar que a segunda e a terceira das afirmações necessárias para apoiar a sua posição são óbvias (e o mesmo fazem os libertarianos). Parece-lhes óbvio que as acções determinadas, digamos, pela hereditariedade e pelo ambiente não podem ser acções livremente escolhidas; e igualmente óbvio que as pessoas são apenas responsáveis pelas acções que escolheram livremente. Por isso, os deterministas radicais concentraram o seu fogo no primeiro princípio ― que o determinismo é verdadeiro. Os seus argumentos são muito fortes.
Em primeiro lugar, as provas a favor do determinismo em geral baseadas na vida diária parecem ser extraordinariamente fortes. Quando pomos açúcar no café, esperamos que o café saiba a doce e ficaríamos muito surpreendidos se não soubesse. Quando passeamos, o solo suporta-nos sempre ― não nos enterramos lentamente na terra. Do mesmo modo, a gravidade nunca falha ― nunca flutuamos suavemente até às estrelas. Quando os astronautas vão para o espaço, milhares de peças de equipamento têm de trabalhar de forma exactamente correcta milhões de vezes ― "exactamente correcta" significa exactamente como foi predito pelas teorias científicas acerca das leis da natureza que explicam como as coisas estão determinadas para acontecer.
A verdade é que nós não podemos fazer um movimento sem confiar em pelo menos algo que funcione como funcionou no passado. Assim, cada experiência que temos parece apoiar a tese geral de que tudo o que acontece neste universo é causado ou determinado pelo que aconteceu no passado.
Mas a questão principal entre os deterministas radicais e os seus opositores não é a propósito do determinismo ou da causalidade em geral. A questão diz respeito apenas a um conjunto limitado de acontecimentos ou circunstâncias no universo, a saber, a escolhas e acções humanas, em particular, a escolhas e acções morais. São as nossas acções livres (não-determinadas)? São as nossas escolhas livres? Há suficiente "folga" nas leis que governam o universo para que estas coisas possam acontecer? Os deterministas dizem que não e as provas parecem estar fortemente a seu favor.
Em primeiro lugar, na vida diária fazemos constantemente predições acerca do que as pessoas irão fazer. Como é óbvio, não podemos fazer predições com 100% de precisão, mas as pessoas perspicazes, de algum modo, fazem-nas razoavelmente bem. Elas rotulam as pessoas de pessoas em quem se pode confiar, egoístas, sem escrúpulos, sociáveis, agressivas, hostis, e tudo o mais, com um sucesso moderado que é difícil explicar se as nossas acções e as nossas escolhas não são determinadas.
Além do mais, sabemos pela vida diária quão facilmente podemos alterar os nossos estados e capacidades mentais tomando drogas. É essa a razão do amplo uso do álcool, da marijuana, da cafeína, da nicotina, da aspirina, do Valium, e de outros modificadores da mente ― alteramos as nossas percepções, libertamos as nossas inibições ou livramo-nos da dor. No caso do álcool, com frequência enfraquecemos a vontade moral ou abalamos, por exemplo, a resolução de nos abstermos de relações sexuais imorais. Tudo isto apoia o ponto de vista dos deterministas e opõe-se à ideia de vontades livres (não-causadas).
Além disso, há as provas decisivas da ciência. Os cientistas assumem que as leis da natureza que descobriram se aplicam a tudo no universo, incluindo as minúsculas partículas que constituem o cérebro e o sistema nervoso humanos. Quando escolhemos fazer algo ― digamos, apertar um dedo indicador contra o gatilho de uma arma carregada apontada a um inimigo ―, impulsos eléctricos viajam do cérebro para os músculos apropriados do corpo. Há uma grande quantidade de provas científicas (e nenhumas contraprovas convincentes) de que estes impulsos eléctricos são causados por outros impulsos no cérebro, que em última instância são causados por interacções químicas algures no corpo (por exemplo, em várias glândulas que segregam hormonas e na retina do olho). A noção de uma vontade livre (não-causada) parece assim contraditar alguns princípios científicos muito bem estabelecidos[1].
Por último, deve ser notado que os indeterministas, tal como todas as outras pessoas, na vida diária agem como se acreditassem realmente em que o determinismo é verdadeiro. Em particular, eles antecipam as escolhas morais das outras pessoas exactamente como toda a gente. E assumem que a exortação moral, o treino moral e a educação moral serão eficazes, embora o objectivo do treino moral seja influenciar as decisões morais dos estudantes. Se as pessoas tomam efectivamente as suas decisões morais libertos de forças causais, como é que o treino moral tem algum efeito?

O argumento contra o determinismo radical

Como vimos, o determinismo radical baseia-se em três princípios. Não o podemos refutar rejeitando o primeiro destes princípios (o princípio do determinismo), como acabámos de defender. Por isso, para refutá-lo, devemos atacar o segundo e o terceiro princípio (embora praticamente ninguém escolha o terceiro). Como veremos, esta é exactamente a forma como os deterministas moderados refutam o determinismo radical. Mas por detrás desta refutação encontra-se um desejo muito forte de que as pessoas sejam responsáveis pelas suas acções e escolhas e uma enorme necessidade de admirar e premiar aqueles que se sacrificam pelo seu dever e de abominar e punir a obra do diabo. E essa é, em última instância, a razão fundamental para rejeitar o determinismo radical. (Seja o que for que alguns filósofos possam afirmar, a verdade é que quando julgamos moralmente os outros não nos importa se as nossas escolhas morais são determinadas ou não ― uma vez mais, repara no comportamento quotidiano de todos, incluindo os deterministas radicais.)

4. Libertarianismo

Ao contrário dos deterministas radicais, os libertarianos (com frequência chamados indeterministas) negam que o determinismo seja verdadeiro. O libertarianismo é o ponto de vista segundo o qual as escolhas morais são em geral livres; isto é, não-causadas (ou autocausadas) e que, portanto, temos razões para considerar que as pessoas são moralmente responsáveis pelas suas acções. Isto é outra forma de dizer que o determinismo é falso, pelo que há liberdade da vontade e, portanto, a moralidade faz de facto sentido.
Como é óbvio, os libertarianos sabem que não podemos fazer exactamente qualquer coisa ― é completamente impossível ter poderes sobre-humanos. Mas, afirmam eles, somos geralmente livres nas situações morais típicas em que podemos escolher fazer ou não o mal, que é o que importa para justificarmos a prática da moralidade.

Razões para aceitar o libertarianismo

Há duas razões fundamentais para o libertarianismo ser tão popular. A primeira é a crença em que de outro modo não temos justificação para considerar as pessoas responsáveis pelas suas acções. (Deste modo, os libertarianos concordam com os deterministas radicais em que se as nossas escolhas morais são determinadas, então não são livres.)

Sentimo-nos livres

A segunda razão importante pela qual os libertarianos acreditam que temos vontades livres (não-causadas) é que sentimos que somos livres. Digamos que, em geral, quando escolhemos mentir sentimos que poderíamos ter escolhido não mentir, que a nossa escolha não nos foi imposta pelo que nos aconteceu no passado. Por outras palavras, sentimos que podíamos ter escolhido caminhos verdadeiramente alternativos.

Argumentos contra o libertarianismo

Infelizmente, estas duas defesas libertarianas são defeituosas. Peguemos na segunda ― de acordo com a qual temos uma sensação de liberdade. Mesmo que isto seja verdade (e alguns deterministas também pensam que é) não prova que temos de facto livre-arbítrio, porque muitas sensações são enganadoras (por exemplo, a sensação de que num dia frio o ar está mais frio do que a água da praia). Assim, o simples facto de nos sentirmos livres não é razão suficiente para acreditarmos que somos realmente livres.
Mas poderia ser uma prova de que somos livres, tal como, digamos, sentirmos que partimos um osso é uma prova de que partimos. Não nos sentimos livres quando escolhemos fazer isto em vez de aquilo? Sim, claro. Mas não no sentido relevante de liberto de causas, porque uma causa não pode ser sentida! Portanto, a ausência de causa também não pode ser sentida.
Peguemos num caso em que toda a gente concorda não existir liberdade de escolha ― digamos, um acto reflexo como o movimento automático da perna. Quando o médico bate no lugar certo do joelho do paciente e a sua perna se eleva, ele não sente a causa do movimento da perna ― sente unicamente o movimento da perna. Em casos deste género, certamente que o movimento do nosso corpo é causado, mas não sentimos essa causa. Por que devemos então acreditar que sentimos a ausência de causa? Contudo, para sentirmos uma escolha como livre temos de senti-la como não-causada, temos de sentir a ausência da causa. E isto é algo que não podemos fazer. (Se pensas que podemos, pergunta a ti mesmo que sensação as causas ― enquanto opostas a vontades ― têm[2].)
É verdade que nos podemos sentir compelidos (forçados) ou não-compelidos (não forçados) a fazer certas escolhas. Mas, como veremos quando discutirmos o determinismo moderado, ser compelido é muito diferente de ser causado e não ser compelido muito diferente de não ser causado.

Não somos responsáveis por acções não-causadas

Vejamos agora o segundo argumento importante a favor do libertarianismo ― que apenas o libertarianismo torna racional a ideia de responsabilidade moral. Supõe que o Silva decide roubar o Banco de Portugal e que ninguém o forçou a fazê-lo (razão pela qual a sua acção não implica qualquer compulsão). Para serem consistentes, os libertarianos têm de dizer que só temos justificação para considerar o Silva moralmente responsável pela sua acção se ela não foi causada, nem mesmo pelos seus próprios motivos, desejos ou objectivos[3].
O problema é que os libertarianos têm ossos no armário. Só faz sentido considerar uma pessoa moralmente responsável por escolhas que resultem pelo menos em parte de necessidades ou desejos que tentou satisfazer fazendo essas escolhas! Esta inversão impressionante da pretensão libertariana é de crucial importância. Para ver a sua força, imagina que és livre em sentido libertariano. Isto é, imagina que as tuas escolhas não são causadas, nem mesmo pelos teus desejos, motivos ou objectivos. Supõe que vais a descer a rua principal quando de súbito puxas de uma pistola e matas alguém a sangue frio. Se te perguntassem por que fizeste essa coisa horrível, que poderias responder? Unicamente que não tens qualquer ideia da razão por que escolheste fazê-la, porque se soubesses a razão, saberias o que te tinha motivado a fazê-la e, assim, saberias (em parte) a causa de o teres feito. (Algumas pessoas diriam que o teu desejo não foi a causa da acção mas antes um efeito do mesmo processo fisiológico que causou a acção.)
Para perceber a ideia, imagina que dizes que mataste porque querias mostrar que te poderias libertar das limitações vulgares das acções humanas, querias quebrar a regra contra o assassinato unicamente para mostrar que podes fazê-lo (tal como há uns anos algumas pessoas corriam nuas unicamente para provar que o podiam fazer). Por conseguinte, o teu desejo de provar isto seria (parte de) a causa da tua acção. Para que o assassinado seja uma acção verdadeiramente livre, nenhum desejo destes ou de qualquer outro tipo pode ter causado a tua escolha. Assim, se te perguntassem por que razão fizeste aquele acto, terias de responder que não tinhas qualquer razão e te limitaste a escolher fazê-lo.
Portanto, se o libertarianismo estivesse correcto, o que escolhes fazer não poderia ser causado pelo teu carácter ou resultar de algum dos teus desejos, motivos ou valores. Não poderia ser causado pela inveja, pelo teu desejo de provar algo, pelo desejo de vingança ou qualquer outra coisa. Não poderia, por conseguinte, ter qualquer ligação efectiva contigo ou com quem tu és. Assim, se as tuas escolhas fossem verdadeiramente não-causadas, seria um erro elogiar-te, censurar-te, recompensar-te ou punir-te pelo que escolhes fazer, o que é precisamente o inverso de aquilo que os libertarianos pretendem.

Podemos escolher livremente os nossos desejos e motivos?

Confrontados com objecções deste tipo, alguns libertarianos admitem que aquilo que queremos é influenciado pelos nossos desejos e motivos, mas defendem que podemos escolher livremente os nossos desejos e motivos ou, pelo menos, decidir com base em quais agir.
Mas é isto correcto? Em primeiro lugar, como mostrámos antes, todas as provas parecem indicar que os nossos desejos e motivos são tão causados como tudo o resto. E, em segundo lugar, se fôssemos realmente livres para escolher coisas como desejos, não haveria nenhuma razão para escolhermos um desejo em vez de outro. Não teríamos mais razões para desejar o amor do que o ódio, tartes de maçã do que veneno, a vingança do que crianças ou a vida do que a morte.
Para ver que as coisas são assim, imagina que és livre de escolher os teus próprios desejos, objectivos e motivos ― não com base nos que tens agora, mas a partir do zero. Digamos que escolhes um conjunto A de desejos em vez de um outro conjunto B. Supõe que o conjunto A contém o desejo de assassinar a tua avó e que o fazes. Se te perguntassem por que desejaste fazer uma coisa tão horrível, o que poderias responder? Unicamente que não tens qualquer ideia da razão por que escolheste esse desejo, porque se soubesses a razão, saberias o que te teria motivado a fazê-lo, e estamos a assumir que começaste do zero, isto é, que escolheste sem ter quaisquer desejos ou motivos anteriores. Portanto, se fosses completamente livre para escolher os teus próprios desejos e motivos, livre até dos desejos e motivos que tens efectivamente agora, os desejos que escolherias não teriam a mínima ligação contigo, como defendemos antes. (Não serviria de nada dizer que poderias escolher livremente os teus próprios desejos com base nos desejos que já tens, porque nesse caso os novos desejos alegadamente "escolhidos livremente" derivariam na realidade dos antigos e não da tua escolha livre.)

Podemos nós escolher resistir aos nossos desejos e motivos?

Confrontados com objecções deste tipo, alguns libertarianos admitem que aquilo que queremos é influenciado pelos nossos desejos e motivos e que não podemos escolher os nossos desejos e motivos independentemente dos que já temos. Mas eles argumentam que podemos escolher livremente resistir a agir com base nos nossos motivos e desejos imorais empregando a nossa força de vontade (ou empregando mais força de vontade) e, portanto, somos moralmente responsáveis pelas acções realizadas para satisfazer esses desejos. (Por exemplo, diz-se frequentemente que não nos podemos libertar dos desejos da carne, mas podemos dominar estes desejos se nos esforçarmos bastante.)
Mas a experiência diária assim como as teorias psicológicas indicam que a quantidade de força de vontade que podemos empregar para resistir à tentação de fazer uma acção imoral depende da força relativa do desejo de cometer a acção má comparada com o desejo de fazer aquilo que é moralmente correcto. Por exemplo, se Silva resistirá ou não à tentação de fazer amor com a mulher (que também está disposta) de um amigo depende da força do seu desejo de fazê-lo comparada com o seu desejo de ser leal ao amigo ou de evitar o que acredita ser errado. É-nos tão impossível escolher livremente a intensidade dos nossos desejos quanto escolher livremente os próprios desejos.
Pensa por um momento no que seria escolher a intensidade dos nossos desejos. Supõe que o desejo de Silva por sexo é o dobro da intensidade do seu desejo de ser leal ao seu amigo e que ele escolhe duplicar a intensidade do desejo de ser leal. Se lhe perguntassem por que razão escolheu aumentar a intensidade do seu desejo de ser leal, o que poderia dizer? Tão somente que não tinha qualquer ideia da razão pela qual o escolheu. Em particular, ele não poderia apelar a nenhum motivo ou desejo de o fazer, porque estamos a assumir que escolheu livremente aumentar o seu desejo, o que significa que escolheu fazê-lo sem um motivo ou desejo como causa para o fazer.
Ou então supõe que ele escolhe duplicar a sua vontade de poder, isto é, escolhe resistir à tentação de pecar com duas vezes mais força. Uma vez mais, se lhe perguntassem por que razão escolheu fazê-lo, que poderia ele responder? Ele não poderia apelar a nenhum motivo ou desejo de tentar com mais força porque estamos a assumir que ele escolhe livremente tentar com mais força.
Estamos presos à conclusão de que as nossas escolhas e acções têm de derivar dos nossos desejos e motivos ou, mais exactamente, do nosso carácter. É óbvio que podemos escolher livrarmo-nos, ou intensificar, um desejo particular, mas apenas baseados em outros desejos e motivos que tenhamos. De outro modo, fazê-lo não teria nenhuma ligação com quem somos ― teria caído do céu ― e certamente que não teríamos nenhuma responsabilidade por o ter feito.
Parece, então, que o libertarianismo não é satisfatório.

5. Determinismo moderado

Parece que ficámos encurralados num canto. Temos de rejeitar o determinismo radical porque nega a validade da responsabilidade moral. Mas temos igualmente de rejeitar o libertarianismo, porque se fosse verdadeiro nunca teríamos justificação para considerar as pessoas moralmente responsáveis pelas suas acções.
O problema está na nossa definição de liberdade. Dissemos antes que chamaríamos livre a uma escolha se ela não fosse causada. Mas há uma outra e mais útil concepção de escolha livre. Para ilustrá-lo, imagina os soldados Silva e Nunes de sentinela durante a guerra, Silva depois de 72 horas acordado em batalha e Nunes depois de um bom descanso. Supõe que Silva tenta ao máximo estar acordado, enquanto que Nunes, digamos, por travessura, se deixa deliberadamente dormir. Parece que neste caso deveríamos repreender Nunes por se ter deixado adormecer, mas não Silva, porque Nunes, se quisesse, poderia ter estado acordado, enquanto Silva não poderia, ainda que de facto o desejasse. Nunes deveria ser considerado culpado porque ele quis fazer a acção maldosa, enquanto Silva deve ser considerado inocente ou, pelo menos, ser perdoado, porque ele quis fazer o seu dever, estar acordado e tentou ao máximo fazê-lo. Podemos dizer que Nunes ter adormecido foi um acto livre, porque não foi compelido ― não foi forçado a adormecer "contra a sua vontade". Mas Silva ter adormecido não foi livre, porque ele foi compelido pela fadiga corporal a fazer o que desesperadamente não queria fazer, a saber, adormecer.
Os deterministas moderados consideram a ausência de compulsão, e não a ausência de causa, como o critério da liberdade de escolha. Em termos gerais, defendem que as pessoas agem livremente quando fazem o que querem e escolhem fazer e não agem livremente quando o que fazem é forçado ou compelido. Por outras palavras, de acordo com os deterministas moderados, uma vontade livre é simplesmente uma vontade não-compelida.

Compulsão interna e externa

As acções compulsivas dividem-se em dois tipos, internas e externas, consoante a origem da força compulsiva. A sentinela que tenta ao máximo estar acordada mas apesar disso adormece é vítima de compulsão interna, porque forças psicológicas no interior do seu corpo são a causa de que adormeça. As crianças fechadas nos quartos pelos pais são vítimas de compulsão externa, porque as forças que constrangem o seu comportamento são externas aos seus corpos. Os deterministas moderados defendem que a ausência de compulsão, e não a ausência de causa, é a marca de um acto livre. Todos os actos são causados, mas apenas alguns são compelidos.

Acções determinadas podem ser livres

Recorda agora os três princípios que conduzem ao determinismo radical, a saber, 1) que o determinismo é verdadeiro, pelo que todas as nossas escolhas e acções são determinadas por circunstâncias passadas; 2) que as acções determinadas por circunstâncias passadas não podem ser livres; e 3) que somos moralmente responsáveis apenas por acções livres. Deve ser óbvio neste momento que os deterministas moderados aceitam os princípios 1) e 3) mas rejeitam o princípio 2). Eles chamam a atenção para que, na vida diária, o critério de escolha livre não é a escolha ser não-causada mas antes a escolha ser não-compelida, não forçada, pelo que a pessoa faz o que ele ou ela quer e escolhe fazer. Os deterministas moderados "salvam" assim a ideia de responsabilidade moral e resolvem o problema do livre-arbítrio versus determinismo defendendo que a liberdade necessária para justificar considerar as pessoas moralmente responsáveis pelas suas acções não é a liberdade do determinismo, que nunca temos, mas a liberdade da compulsão, a liberdade para fazer o que queremos fazer, o que com frequência temos.

Razões para aceitar o determinismo moderado

A razão fundamental para aceitar o determinismo moderado é que parece resolver o problema sem violar quaisquer intuições fortemente arreigadas. Ao contrário do libertarianismo, o determinismo moderado é consistente com a tese determinista muito bem estabelecida segundo a qual tudo tem uma causa. Ao contrário do determinismo radical, é consistente com a ideia de que temos justificação para considerar as pessoas moralmente responsáveis pela maior parte das suas acções. Além disto, diz-nos grosso modo as acções pelas quais somos responsáveis (as que não são compelidas) e pelas quais não somos (as que são compelidas) e fornece-nos um critério para decidir em casos particulares (as acções que queremos fazer não são compelidas, ou livres, as acções que não queremos fazer mas fazemos na mesma são compelidas, ou não livres). E fá-lo de um modo tal que está razoavelmente de acordo com a prática diária. Uma vez que, em geral, na vida diária somos desculpados pelas acções compelidas e considerados responsáveis apenas pelas não-compelidas.

Dificuldades do determinismo moderado

O determinismo moderado enfrenta dois problemas fundamentais. Primeiro, como os próprios deterministas moderados costumam afirmar, o critério para determinar se as escolhas são livres ou compelidas precisa de ser refinado. Dissemos que, em termos gerais, as acções são livres quando os agentes fazem o que querem fazer e são compelidas quando é ao contrário; e que uma pessoa é responsável apenas pelas suas acções livres. Considera então os casos seguintes:
1. Uma dama imensamente rica da Avenida de Roma rouba um alfinete de gravata de diamantes na Ourivesaria Sarmento, da Rua do Ouro. O alfinete não tem qualquer utilidade para ela e mais tarde irá lamentar tê-lo roubado. Mas, na altura, qualquer que tenha sido a razão, não resistiu à tentação de roubá-lo ― o seu desejo de roubar foi mais forte do que o seu desejo de não o fazer ― pelo que escolheu fazê-lo. Ainda assim, é frequente dizer-se que uma tal pessoa é doente mental, uma cleptomaníaca que age compulsivamente, e, portanto, não é responsável pelas suas acções. Contudo, de acordo com o critério de compulsão aqui apresentado, a sua acção tem de ser considerada livre.
2. Um prisioneiro de guerra, depois de ter sido barbaramente torturado, entrega segredos ao inimigo. Ele quer revelar os segredos e escolhe fazê-lo (para evitar ser mais torturado). Geralmente julga-se que ele não deve ser castigado por tê-lo feito, porque quase toda a gente, mais cedo ou mais tarde, cede à tortura. Contudo, de acordo com o critério de liberdade que fornecemos, ele escolheu livremente revelar os segredos.
3. Uma pessoa internada num hospital para doentes mentais mata outra numa luta por causa de um parceiro sexual. Essa pessoa quer matar e escolhe matar e, no entanto, a maior parte de nós diria que, devido a ser louco, não é responsável.
4. Um marido que investiu bastante na sua mulher e no seu casamento apanha-a na cama com outro homem e mata-a num acesso de paixão. Na altura, ele quer matá-la e escolhe fazê-lo ― ninguém o força. No entanto, algumas pessoas diriam que ele não deveria ser castigado por este acto, uma vez que, nestas circunstâncias, não era livre para dominar a sua raiva.
5. Sob o efeito de sugestão pós-hipnótica, Silva mata a avó. Ele gosta dela e normalmente nem lhe passaria pela cabeça fazer-lhe mal. Apesar disso, na altura da decisão, ele quer matá-la. Deste modo, de acordo com o critério de liberdade dos deterministas moderados, o acto parece ser livre, embora a maior parte de nós dissesse que o Silva não era um verdadeiro agente livre.
6. Quando lhe deram grandes doses para o ajudar a suportar as dores causadas por ferimentos de guerra, Nunes adquiriu, sem quaisquer más intenções, o vício da morfina. Agora arruína a sua vida ao tentar satisfazer o hábito. Embora seja verdade que quer romper com o hábito, também é verdade que, quando cede e toma a droga, quer tomá-la (o seu desejo pela droga é mais forte do que o seu desejo de romper com o hábito) e escolhe tomá-la. A maior parte de nós diria que tomar a droga é uma acção compelida. Contudo, com base no critério aqui apresentado, parece ser livre.

A compulsão não é a única defesa

Como é óbvio, não podemos ter a certeza de que o determinismo moderado resolva o problema até sabermos como lidar com casos como os que acabámos de apresentar. Diferentes deterministas moderados tratam estes casos de forma diferente. Uma forma é chamar a atenção para que a liberdade de compulsão não é o único critério de responsabilidade moral. As crianças, por exemplo, são frequentemente desculpadas por escolherem livremente acções pelas quais os adultos são castigados. O mesmo se passa com os doentes mentais. A questão é que tais pessoas de algum modo carecem de estatuto moral, talvez porque não se pode esperar que saibam a natureza moral dos seus actos (como a criança de três anos que puxa a irmã bebé para fora do berço) ou que saibam as consequências das suas acções (o louco que acidentalmente deita fogo a uma casa) ou tenham a vontade para agir com base nesse conhecimento (o doente esquizofrénico que não sai da cama).

Precisamos um critério de desejo verdadeiro

Outra forma de lidar com o problema é defender que às vezes o que queremos e escolhemos num dado momento ― digamos, no calor da paixão, como no Caso 4, acima ― não é o que realmente queremos fazer; pensa no arrependimento que se segue a termo-lo feito. Deste ponto de vista, a intensidade relativa dos nossos vários desejos ao longo de um grande período de tempo determina os nossos verdadeiros desejos num dado momento. Desta forma, as acções compelidas têm origem quando os nossos desejos mais fortes num dado momento conflituam com os nossos desejos mais fortes a longo prazo. Um exemplo disto é o desejo de tomar a droga que, num dado momento, um toxicómano tem mesmo que, em geral, o seu desejo mais forte seja o de perder o hábito.

Muitas pessoas ainda consideram o determinismo e a responsabilidade moral incompatíveis

O objectivo da investigação filosófica é ver como as coisas nos parecem depois de termos ouvido os argumentos, especialmente os da outra parte.
Depois de ouvir os argumentos a favor do determinismo moderado, os libertarianos, em particular, ainda acham errado considerar as pessoas responsáveis pelas suas acções se essas acções são causadas por leis naturais sobre as quais os seres humanos não têm qualquer domínio. Também não lhes serve de nenhum consolo ouvir que as pessoas escolhem fazer a maior parte do que fazem, ou que as suas acções resultam dos seus desejos ou motivos, se esses desejos, motivos e, deste modo, todas as escolhas, são determinadas por leis naturais. Considerar pessoas responsáveis em tais circunstâncias parece-lhes ser como considerar robots responsáveis pelas suas acções.
E talvez este seja o ponto principal. Há alguma razão para tratar os seres humanos de forma diferente das mesas, cadeiras, televisores ou computadores? Há alguma coisa nas relações humanas ou na nossa natureza social que constitua uma razão para olhar os seres humanos como responsáveis pelo que fazem, e os televisores e computadores não? Parece adequado censurar os amigos quando nos decepcionam, mas não um computador (limitamo-nos a mandar arranjá-lo). A forma como nos sentimos a propósito de pessoas é substancialmente diferente da forma como nos sentimos a propósito de máquinas inanimadas, e esse sentimento diferente é a justificação ― se há alguma ― para considerar as pessoas e não as máquinas responsáveis pelas suas acções (não-compelidas).
Por que, então, continuam a existir discordâncias sobre este tema? Em parte, talvez, devido a uma falta de atenção aos argumentos dos outros lados da questão. Mas, em parte, devem-se também a diferenças a propósito de outras questões filosóficas que estão com ele relacionadas, talvez mesmo a diferenças acerca da natureza do próprio empreendimento filosófico. Por exemplo, alguém cujas convicções religiosas exigem que as pessoas sejam consideradas responsáveis por algumas das suas acções não pode consistentemente apoiar a posição do determinismo radical acerca da questão do livre-arbítrio. Embora não seja prático lidar com todas as questões relacionadas ao mesmo tempo, o que eventualmente dissermos a seu propósito ajuda a determinar que respostas à questão do livre-arbítrio versus determinismo podemos aceitar.

Sumário

1. O problema discutido neste capítulo nasce de uma aparente contradição entre a ideia quase universal de que os seres humanos têm livre-arbítrio e várias outras ideias que são plausíveis, a saber, que a) tudo o que acontece, incluindo todas as escolhas e acções humanas, é determinado ou causado por acontecimentos ou circunstâncias anteriores; b) que se as nossas acções e escolhas são determinadas, não são livres; e c) que não somos moralmente responsáveis por acções ou escolhas que não são livres.
2. Os deterministas radicais resolvem o problema negando que tenhamos livre-arbítrio, concluindo que de facto não somos moralmente responsáveis pelas nossas acções ou escolhas. Dizem isto porque estão convencidos de que o determinismo é verdadeiro e o livre-arbítrio é, por conseguinte, uma ilusão. Eles tendem a defender o seu ponto de vista principalmente defendendo a teoria determinista segundo a qual tudo é causado. Assim, chamam a atenção para experiências e crenças comuns que parecem implicar que as coisas se comportam de uma forma regular (o açúcar não faz as coisas saberem doces num dia e amargas no dia seguinte), para o comportamento humano diário (nem mesmo pilotos de carros de corrida podem escolher conduzir bem estando bêbados), e também para o enorme sucesso da ciência moderna na descoberta de relações causais (não podemos escolher bater os braços e voar para a Lua).
Embora muitas pessoas argumentem contra o determinismo radical defendendo que o determinismo em geral está errado, as provas a favor do determinismo são muito fortes, razão pela qual se quisermos rejeitar o determinismo radical teremos de o fazer com base na ideia de que a liberdade de acção e de escolha não contradiz o determinismo, pelo que temos efectivamente justificação para considerar as pessoas moralmente responsáveis mesmo que as suas acções e escolhas sejam causadas ou determinadas.
3. Os libertarianos defendem que o livre-arbítrio é possível apenas se o determinismo for falso e que, pelo menos nas situações morais típicas, temos de facto livre-arbítrio. Por este motivo, temos justificação para considerar as pessoas moralmente responsáveis pelo que escolhem e fazem.
Os libertarianos defendem o seu ponto de vista com base em que, primeiro, apenas o seu ponto de vista permite considerar as pessoas moralmente responsáveis pelas suas acções (eles não têm nenhuma vontade em acreditar que não tem sentido fazê-lo), e, em segundo lugar, sentimo-nos livres quando fazemos escolhas morais.
Os adversários tendem a opor-se ao libertarianismo por três razões. Primeiro, acreditam que o determinismo é verdadeiro e não temos vontades sem causas ou autocausadas. Em segundo lugar, eles defendem que não nos sentimos livres de forças causais (porque as causas não são o tipo de coisas que possamos sentir), mas antes de compulsão ou coerção. E, em terceiro lugar, defendem que se tivéssemos efectivamente vontades não causadas, não faria qualquer sentido considerarmo-nos responsáveis pelas nossas acções, porque não resultariam do nosso carácter e, assim, não seriam uma indicação de quem realmente somos.
4. Os deterministas moderados defendem que os deterministas radicais e os libertarianos estão errados, em parte porque usam uma concepção errada de liberdade da vontade. A concepção pertinente é que somos livres quando escolhemos e fazemos o que queremos fazer e não somos forçados ou compelidos contra a nossa vontade. Eles distinguem frequentemente entre dois tipos de compulsão ― interna e externa ― consoante a força compulsória é interior ou exterior aos nossos corpos.
Os deterministas moderados defendem a sua posição apelando a todas as provas que favorecem o determinismo em geral e apontando que o seu ponto de vista se conforma com a prática diária. Quando temos de decidir na vida diária se as pessoas devem ser consideradas responsáveis pelo que fazem, não perguntamos se as nossas acções são causadas mas antes se são ou não compelidas ou forçadas. Quando as pessoas fazem o que querem fazer, sentimos (com algumas excepções devido a razões precisas) que são moralmente responsáveis pelo que fazem.
Algumas pessoas rejeitam o determinismo moderado porque rejeitam o determinismo em geral. Outras rejeitam-no devido a acreditarem que até agora os deterministas moderados não foram capazes de lidar com certos tipos de casos e porque não explicaram adequadamente o seu critério de compulsão. Além disso, após terem ouvido a teoria dos deterministas moderados, especialmente os libertarianos ainda consideram totalmente implausível considerar as pessoas responsáveis pelas suas acções se essas acções são determinadas por acontecimentos ou circunstâncias passados. Se o determinismo é verdadeiro, afirmam eles, então os seres humanos são exactamente como robots ou computadores complexos e ninguém se sente justificado em repreender ou punir um computador quando ele avaria.

Finalmente, foi sugerido que talvez seja este o ponto principal. Tratamos os seres humanos, quer sejam ou não máquinas, de forma diferente dos robots ou computadores porque nós de alguma forma sentimos de forma diferente a seu respeito.

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