sexta-feira, 13 de abril de 2012

A importância preponderante dos problemas filosófico


Frente a qualquer outro elemento da filosofia como um todo.
Fábio Valverde

filosofo@globo.com
Resumo: A presente pesquisa tem como objetivo central a reflexão e investigação sobre uma abordagem que leve em conta uma metodologia, que não incorra em cair num ensino enciclopédico, onde conteúdos são apresentados de forma temática, numa tentativa de torná-los mais próximos da realidade vivida pelos jovens, vislumbrando a busca de caracterizar grandes problemas da Filosofia na medida em que permite tanto o acesso aos temas filosóficos mais relevantes quanto à história da filosofia, possibilitando filosofar. O desafio que anunciamos com esse trabalho é a atividade questionadora a partir de grandes problemas da filosofia em Geral, como por exemplo, o belo é melhor que o feio? O homem é realmente livre? O “perguntar a partir” tem esse significado, entendendo que não se trata de negar o conhecimento existente, muitas vezes em forma de senso comum, onde o estudante encara suas preocupações existenciais, culturais etc.; como elementos (problemas) que tem valor e necessitam de reflexão e escolhas. Portanto, uma metodologia que leva em consideração grandes problemáticas da filosofia muitas vezes de maneira muita tênue e intensa fazendo parte do caminhar do estudante, ele o vê como sendo um protagonista que ocupa um papel no mundo da filosofia contemporânea, ele o vivencia e sente a necessidade de resolvê-lo.


Palavras Chaves: metodologia, problematização, paradigma, dialogicidade, mídias, espanto, sensibilizar.
1 INTRODUÇÃO
Buscar uma metodologia que permita o educando apropriar-se de conceitos filosóficos, assim como uma salutar condição para que o estereótipo da disciplina, que muitas vezes distanciam jovens estudantes da proposta lançada, seja na graduação ou no ensino médio, vem sendo um grande desafio para filósofos e professores de filosofia; principalmente após seu retorno à grade curricular do ensino médio. Portanto, investigar, pesquisar e pensar tal proposta e garantir condições para que o ensino e o próprio filosofar ultrapassem a visão enciclopédica e meramente de mais uma disciplina no currículo. Tal concretização pode ser construída como ponto de partida, a compreensão da importância dos problemas (ou questão da filosofia). Antes ainda, fazem-se necessários dois questionamentos, ou melhor, deixar-nos mover pela perplexidade da realidade como diria o filósofo Gerd Bornheim:
Não falo de um silêncio estático e torturante, mas de um silêncio inquieto que sobrevive de indagações escondidas. Parece que o homem de hoje, perdeu a capacidade de ficar perplexo, de não se conformar com as coisas que acontecem em sua volta. Parece que perdeu a capacidade de parar e ficar consigo mesmo, sem pressa de chegar. Por isso que uma aula de Filosofia não faz efeito em mim no mesmo dia em que ela foi dada, demora certo tempo, o tempo que essa aula demora em mim. Sinto seus desdobramentos, suas nuances. Sou formado e ao mesmo tempo inacabado. Como diria Husserl, meu limite é o infinito, minha finalidade é a infinidade. Não vou sozinho, tenho companheiros que junto comigo, desbravam a aventura de ir até o limiar da razão e descobrirem os limites da razão e o que pode ir além dela.” (BORNHEIM, 1989, p.96).
Esta dúvida leva-nos a pensar, como me referi acima, em duas questões que permitiram o desenvolvimento do presente trabalho, a saber, o que significa o conceito (palavra) problema que usamos corriqueiramente em nossas conversas, trabalho etc.? Uma segunda mais importante: O que caracteriza um problema filosófico?
Conforme algumas definições que temos com auxilio dos dicionários entendem-se, problema, como uma dificuldade na obtenção de um determinado objetivo. Em outros contextos pode ter um significado diferente. Em matemática, um problema é uma questão proposta em busca de uma solução. Um problema matemático pode ter solução ou não, algumas vezes possui diversas soluções. Mas que exemplos, ou sugestões de situações em aula, podemos usar para a construção do pensamento crítico a partir de problemas filosóficos?
Lançar questões que já fazem parte do “mundo” do estudante e que, de fato, em algum momento, independentemente da série e ou disciplina, mobilize habilidades para uma reflexão apurada e consistente, pode facilitar e qualificar o trabalho do professor, por exemplo: Deus existe? O mal que há no mundo é compatível com a existência de Deus? Provocações que despertam e aguçam a imaginação dos alunos permitindo assim que façamos parte do “mundo” deles, de suas reais inquietações e interesses.


Capítulo 1


Mundo da Imagem: Em busca de uma metodologia significativa para jovens estudantes de filosofia.


Vivemos em um mundo da imagem, aliás, disputamos em sala de aula a atenção dentro de uma configuração um pouco injusta, celulares super modernos, videogames que estimulam e interagem sem contar esta máquina que ora escrevo e que permite uma comunicação vasta e veloz intensamente mais chamativa e visualmente mais impactante que as “velhas” lousas que usamos. Assim como “concorrer” com tão fortes apelos, muitas vezes deformadores, constituindo verdadeiras barreiras para que de fato possamos realizar aproximações e intervenções que possam criar condições para o pensar metódico e rigoroso que o filosofar exige. Edgar Morin diz que a educação “deve contribuir para a auto-formação da pessoa (ensinar a assumir a condição humana, ensinar a viver)” (MORIN, 2001, p.65). À medida que essa educação dá condições para que os envolvidos aprendam a ser humanos, ele é educativo e passa a ser a espinha dorsal que permite a dialogicidade, como método para ouvir cuidadosamente os outros (pois ouvir é pen­sar), devemos pesar nossas palavras (pois falar é pensar), que devem ser conduzidas independentemente de outras investigações intelectuais, entretanto, muitas dessas buscas podem, no final, beneficiar-se da reflexão e do diálogo, que são distintamente filosóficos.
Quando falamos em ouvir, na escuta do outro e claro na metodologia que devemos nos empenhar para que ocorram as problematizações e leituras, que devem ser consideradas premissa básica para que tal encontro ocorra e tenha uma representação significativa para os estudantes, à sala de aula não é o seu único ambiente. Todos os espaços e os momentos podem ser educativos. Humberto Maturana afirma que:
(...) o educar se constitui no processo em que a criança ou o adulto convive com o outro e, ao conviver com o outro, se transforma espontaneamente, de maneira que seu modo de viver se faz progressivamente mais congruente com o do outro no espaço da convivência. O educar ocorre, portanto, todo o tempo e de maneira recíproca (MATURANA, 1999, p.29).
Quando afirmo que a questão da apropriação da Filosofia não pode reduzir-se à mera análise didático-pedagógica, entendo que não se trata simplesmente de averiguar que procedimentos são empregados para a transmissão de um sistema filosófico, situado no espaço e no tempo, a sala de aula é, podemos dizer, um espaço privilegiado da educação formal, e precisa cada vez mais possibilitar experiências de aprendizagem.
Trazendo uma ideia de Hugo Assmann (1998), a escola (sala de aula) só terá razão de existir se proporcionar tais experiências de aprendizagem que, segundo ele, são processos vitais para a pessoa. E caberá à escola dar condições para que o indivíduo desenvolva habilidades de acessar informações e de saber usá-las, e de construir teias de relações interativas com o ambiente (pessoas e coisas). Isso garantirá que ela sobreviva.

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